terça-feira, 26 de maio de 2009

Mais livros...



Caso estejam com falta de livros, aqui alguns dos muitos que temos comentado até agora,

Uma questão pessoal, de Beppe Fenoglio
Seda, de Alessandro Baricco
Como um Romance, de Daniel Pennac
Ser e Tempo, Heidegger
Os Passos em Volta, Herberto Helder
Notas para uma definição de cultura, T.S Eliot
A Palavra O Açoite, Emanuel Félix
Menina a caminho, Raduan Nassar
Lavoura Arcaica, Raduan Nassar
Modernidade Líquida, Zygmunt Bauman
Vida Líquida, Zygmunt Bauman
Cachorros de Palha, John Gray
Falso Amanhecer, John Gray
Missa Negra, John Gray
Al-Qaeda e o que significa ser moderno, John Gray
Ponto de Mutação, Fritjof Capra
Tao da Física, Fritjof Capra
Modernidade e Identidade, Anhony Giddens
Tudo que é sólido desmancha no ar, Marshall Berman
Grande Sertão Veredas, G. Rosa
A Terceira Margem do Rio, G. Rosa
A morte de Ivan Ilitch, Tolstoi
Family Happiness, Tolstoi
Notas do Subterrâneo, Dostoievski
Atonement, Ian McEwan
A Dupla Chama: Amor e Erotismo, Otávio Paz
Lolita, Nabokov
Machenka, Nabokov
Primeiro Amor, Samuel Beckett
A Fera na Selva, Henry James.
Bartleby, o Escrivão, Herman Melville
The Book of Illusions, Paul Auster
Predictably Irrational, Dan Ariely
As Ligacoes Perigosas, Choderlos de Laclos
Is There an Artificial God? Douglas Adams
O Estrangeiro, Albert Camus
O Estranho Caso do Cachorro Morto, Mark Haddon
Ócio Criativo, Domenico de Masi
Capitão Cueca, Dav Pilkey
Harry Potter, J.K. Rowling
Livros de Nathalie Sarraute
Livros de António Lobo-Antunes
Livros de Edgard Morin

Cançao Amiga



Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.

Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não se vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.

Eu distribuo um segredo
como quem anda ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.

Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.

Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.

Carlos Drummond

Mais Lobo Antunes



Écrire, c’est comme une drogue. On commence juste pour le plaisir, et on finit par organiser sa vie autour de son vice, comme les drogués. Telle est la vie que je mène. Même mes souffrances, je les vis comme un dédoublement: l’homme souffre, et l’écrivain se demande comment utiliser cette souffrance dans son travail.

***

Writing is like a drug. You begin [to do it] just for the fun and you end up organizing your life around your vice, like the addicts. That’s the life I lead. It is the same with my own pain. I look at it like a schizoid: there’s the man who suffers and the writer who asks himself how he can use that suffering in his work.

Entrevista Lobo Antunes



De que trata esse livro?

Lobo Antunes - Não gosto de falar dos livros, não é possível falar deles. Se pudesse resumir um livro em cinco minutos, para que escrevê-lo? O que me interessa é que as páginas sejam espelhos em que a gente se veja, é meter a vida inteira entre as capas de um livro.

Muitos consideram os seus livros experimentais, difíceis...

Lobo Antunes - Fico espantado em ouvir isso. Os livros para mim são tão claros! Não compreendo as pessoas que digam isso, penso que tem a ver com hábitos de leitura. Fazemos um trabalho completamente impossível que é o de tentar transformar em palavras coisas que são anteriores às palavras, pulsões, emoções. Difíceis eu não acho. Eu me lembro de aos 20 anos ver os filmes do Bergman e me chatearem pra burro. Agora me comovem até as lágrimas: era eu que não estava preparado para o Bergman.

Borogodó demais



Aqui uma imagem! Será que tem um pouco de borogodó?! Aproveito para incluir o texto completo que Thais compartilhou- é borogodó demais

Duvido que haja algum cristão na face da terra que não gostaria de receber este elogio: você tem borogodó.
Pois bem! O que é afinal esse tal de borogodó? Será que é possível precisar o que é exatamente ter esse tempero que nos apetece, essa energia que nos faz estremecer, esse impulso que nos faz ficar de olhos grudados em alguém.
Vou dar a minha versão. Antes de tudo, uma premissa: borogodó não tem nada a ver com beleza física, com riqueza material, com condição econômica, com idade, profissão e outros atributos afins. Não passa por esses caminhos que podem ser até adornos interessantes.
Ter borogodó é mais especial que tudo isso junto. É ter aquele olhar 43, que nos desgoverna, ainda quando a gente se considera a pessoinha mais gostosa e resolvida do pedaço.
Ter borogodó é saber dizer aquela palavra, aquela frase, com aquela pontuação certa, que percorre feito veneno bom nossa espinha dorsal, de maneira sutilmente perigosa.
Ter borogodó é ter o dom de exibir de maneira natural (porque verdadeira) a inteligência que possui, despretensiosamente, ainda que numa conversa banal. Mas, é também demonstrar na mesma dosagem, sem nenhum constrangimento, o desconhecimento de algum assunto, sem aparentar nenhuma obrigação de saber a respeito.
Ter borogodó, minha gente, é aquela figura que sabe usar, de maneira elegante, o ponto de interrogação e o de exclamação. Ah! Este é um dos itens capitais dos borogodenses. Ainda quando nos desconcertam, eles o fazem com elegância, já que são de linhagem oposta daqueles que bisbilhotam a vida da gente ou arregalam os olhos com as histórias que costumamos contar sobre nossas vidas.
Enfim, ter borogodó, é aquela personagem que por todas essas razões e por outras mais, é capaz de ser motivo de criação de uma fila de espera de desencantados com o amor, que tão somente o querem ter a seu lado para usufruírem do seu maravilhoso borogodó.

Five o'clock tear



Coisa tão triste aqui esta mulher
com seus dedos pousados no deserto dos joelhos
com seus olhos voando devagar sobre a mesa
para pousar no talher
Coisa mais triste o seu vaivém macio
p'ra não amachucar uma invisível flora
que cresce na penumbra
dos velhos corredores desta casa onde mora

Que triste o seu entrar de novo nesta sala
que triste a sua chávena
e o gesto de pegá-la

E que triste e que triste a cadeira amarela
de onde se ergue um sossego um sossego infinito
que é apenas de vê-la
e por isso esquisito

E que tristes de súbito os seus pés nos sapatos
seus seios seus cabelos o seu corpo inclinado
o álbum a mesinha as manchas dos retratos

E que infinitamente triste triste
o selo do silêncio
do silêncio colado ao papel das paredes
da sala digo cela
em que comigo a vedes

Mas que infinitamente ainda mais triste triste
a chávena pousada
e o olhar confortando uma flor já esquecida
do sol
do ar
lá de fora
(da vida)
numa jarra parada

Emanuel Félix

7 pecados de Gandhi



Wealth without Work

Pleasure without Conscience

Science without Humanity

Knowledge without Character

Politics without Principle

Commerce without Morality

Worship without Sacrifice